04 de agosto de 2017

É hora de mudar

Atualmente, 70% das pessoas do mundo vivem em cidades, que por sua vez são responsáveis por 80% da geração de riquezas. Ou seja, se as cidades estão apresentando sinais de que soluções radicais são o futuro da mobilidade, algumas escolhas precisam com urgência serem repensadas e colocadas em prática.

Tudo parece muito novo e ainda longe da realidade, não é mesmo? Até eu, que estou constantemente estudando e vivenciando esse mercado, me sinto assustado com as mudanças que estão por vir. Talvez você não saiba disso, mas essa não é a primeira vez que houve a necessidade de se tomar decisões tão disruptivas nesse cenário. No início da Era do automóvel, há mais de 100 anos, a gasolina, o vapor e a tecnologia elétrica disputaram o mercado. Quer dizer, então, que o carro elétrico não é um produto do mundo tecnológico atual?

De forma alguma. Os veículos elétricos não só conduziram o mercado por um tempo, como também eram vistos como a primeira opção de muita gente nos EUA no começo do século passado. Foi apenas nos anos 20 que o motor a combustão dominou o mercado automotivo e, aliado ao crescimento da economia daquela época, provocou efeitos profundos no transporte e nas cidades, fazendo crescer o conceito de posse e atrofiando os centros urbanos.

É curioso, então, perceber que o trânsito urbano está fazendo um retorno ao passado, pelo menos no que diz respeito ao carro elétrico e ao abandono da posse. Talvez, seja esse o gancho que eu e você precisamos para desmistificar essa ideia de que essas inovações estejam em um campo abstrato, complexo e difícil de alcançar. Assim como aconteceu no passado, estamos ultrapassando um momento chave, onde a mobilidade do novo mundo já chegou e a tecnologia deve ser encarada como uma grande aliada.

Na minha visão como player do setor automotivo, o primeiro passo para encarar o cenário é conhecer as soluções que estão ditando o novo mundo. E, já que começamos esse artigo falando sobre a volta dos carros elétricos, preciso dar uma notícia impactante: todos os veículos a gasolina vão desaparecer em 8 anos. Essa afirmação vem de um profundo estudo realizado por Tony Seba, economista da Universidade de Stanford dos Estados Unidos. A publicação diz que o mercado inteiro será substituído pelos carros elétricos mais eficientes e modelos autônomos sob demanda.

Mas, como eu sei que isso realmente vai acontecer? Porque a China, maior potência mundial do Oriente, está em fase de conclusão do projeto que vai transformar os 70 mil táxis da sua frota em elétrico. Porque em Londres, todos os táxis serão elétricos a partir do ano que vem. Porque a Ford, GM, Audi, Volvo, BMW e outras gigantes do setor automotivo já possuem projetos para o desenvolvimento de carros elétricos. Você ainda tem alguma dúvida de que essa tecnologia é real?

Mas o carro elétrico é apenas uma peça do quebra-cabeça da revolução na mobilidade urbana. O Waymo, projeto que surgiu das ideias de carros autônomos do Google, já tem 600 veículos rodando nos Estados Unidos e já ultrapassou a marca de 4,5 milhões de quilômetros percorridos. A Apple também está seguindo o mesmo caminho e, desde abril deste ano, está autorizada a testar seus veículos autônomos na Califórnia. O carro autônomo desenvolvido pela Universidade do Espírito Santo, aqui no Brasil, percorreu recentemente 74 km em sua primeira viagem sem motorista.

Parece loucura? Saiba que o uso dos drones para entregas e transporte de passageiros está no centro das atenções quando falamos em mobilidade. Em Dubai, drones autônomos vão prestar serviços de transporte individual a partir de julho. O EHang 184 parece um pequeno helicóptero e foi desenvolvido para percorrer distâncias curtas, com bateria de 30 minutos e autonomia de 50 km. A velocidade máxima é de 160 km/h, mas a operação será feita, em média, a 100 km/h.

Carros elétricos, autônomos e drones: como tudo isso vai funcionar de forma segura no mesmo ambiente urbano? A Tesla, uma montadora do Vale do Silício, anunciou recentemente a criação de um novo sistema rodoviário de túneis para aliviar o trânsito nas grandes cidades, tornando-o altamente seguro e melhor aproveitado. Especialistas do setor acreditam que a chegada dos veículos autônomos vai reduzir drasticamente o número de acidentes de trânsito. Eles fazem um paralelo com a indústria da aviação: em um voo de 9 horas o piloto atua, em média durante apenas 7 minutos. Ainda assim ele é responsável por 60% dos acidentes em um dos modais mais seguros do mundo.

E como a nova geração lida com tudo? Muito bem, obrigado. Na realidade, eu acho que são os players do setor automotivo que precisam se preocupar em como lidar com esses novos consumidores. Segundo pesquisa da Delloite, 62% dos jovens brasileiros consideram dispensável possuir um veículo no futuro. Ou seja, a nova geração já não prioriza o carro, defendem com unhas e dentes a economia compartilhada e descartam a posse.

O compartilhamento de carro, que começou como um fenômeno europeu, prosperou nos centros urbanos dos EUA, juntamente com o compartilhamento de bicicletas e outras opções, tem se tornado uma tendência. Pesquisas indicam que um único veículo compartilhado substitui a aquisição de nove a 13 carros. No Reino Unido, um terço das famílias jovens (com até 34 anos) não tem veículo em casa, um aumento de 20% em 18 anos. A tendência também é vista nos Estados Unidos, onde a proporção de jovens de até 19 anos que têm carteira de motorista caiu de 87%, em 1983, para 69%, em 2010.

Quanta coisa acontecendo, não é mesmo? São centenas de projetos inovadores que estão transformando a maneira como a gente se relaciona com o outro e se desloca nas cidades. Cabe a cada um de nós trabalhar duro com o propósito de conectar pessoas e inspirar novas atitudes. Precisamos estar sempre atentos, conhecer o mercado, fazer questionamento e, principalmente, agir diante do futuro que já está batendo à nossa porta.

Por esta razão que trabalhamos no Instituto PARAR para estarmos sempre a frente de toda esta discussão, e principalmente conectarmos gestores e executivos, de empresas frotistas e fornecedores, a este novo mundo que está surgindo. E agora nos dias 08 e 09 novembro, realizamos a nossa V Conferência Global PARAR, o maior evento de mobilidade corporativa da América Latina, serão dois dias intensos de muito conteúdo e conexões. Este ano teremos a novidade que será a STARTUP SHOW, uma feira com mais de 30 empresas inovadoras, que estão desenvolvendo projetos incríveis. Confere no nosso site mais sobre este evento e aproveite e já reserve o seu lugar.

http://www.institutoparar.com.br/conferencia2017/index.html

Fonte: Flavio Tavares
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